30 setembro 2008

Estoril-Sol (II)

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aqui tinha mostrado como estava o velho hotel Estoril-Sol (isto em Agosto do ano passado). A coisa evoluiu e as tranformações continuaram.


Outubro de 2007

Março de 2008


Junho de 2008

Setembro de 2008

Já sabemos que o resultado final será o Estoril Residence ... vamos lá ver como ficará.

(Para ampliar as imagens, "clicar" sobre elas)
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28 setembro 2008

Paul Newman (1925-2008)

- Mais uma verdadeira lenda do cinema que nos deixa. Tinha 83 anos. Quem não se lembra dele em "Gata em telhado de zinco quente" (1958, com Elisabeth Taylor), em "Hud- O mais selvagem entre mil" (1963) ou em "A Golpada" (1973). Foi Óscar de melhor actor em 1987 em "A cor do dinheiro" de Scorsese. Um monstro sagrado!
Para uma mais completa informação sobre a vida (e filmes) de Paul Newman podem ir aqui e aqui.
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27 setembro 2008

Praia dos Pescadores em Cascais

- (Para ampliar, "clicar" na imagem)

Este ano, o Encontro de Embarcações Tradicionais foi no primeiro fim-de-semana de Setembro. Numa bela e ensolarada manhã podemos ver alguns participantes na Praia dos Pescadores , em Cascais.
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13 setembro 2008

Kevin Carter, fotógrafo (1960-1994)

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aqui tinha mostrado esta impressionante e dolorosa fotografia. Foi em Novembro de 2005 e, na altura, não sabia nada sobre o seu autor e quais as circunstâncias em que esta terrível imagem tinha sido obtida. Recentemente, ao ler um semanário, fiquei a saber um pouco mais. A imagem foi captada por um fotógrafo sul-africano (Kevin Carter), no Sudão, em Março de 1993 e publicada pelo "New York Times" em 26 desse mesmo mês, tendo-lhe sido atribuído o prémio Pulitzer de 1994. Ninguém sabe o que aconteceu à criança e, de acordo com o relato de um outro fotógrafo, parece que o abutre se foi embora depois desta cena. O que se sabe de certeza é que Kevin Carter, em Julho de 1994, se suicidou. Tinha 33 anos.

(PS: Para mais detalhes, caso estejam interessados nesta história, podem ir aqui e aqui)
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30 agosto 2008

O cinema Quarteto

Passei há dias por aqui ... e foi assim que, depois de muitos anos, voltei a encontrar estas salas. O Quarteto está à venda!

Fechou as portas já este ano e julgo que a machadada final nesta inesquecível instituição foi a morte do seu fundador, Pedro Bandeira Freire, em Abril último. As saudades de ir ao Quarteto e ver Cinema (com C grande) são enormes. Todos os cinéfilos lisboetas o conheceram ... mas os mais novos (ou os que já esqueceram) podem ir aqui para aceder a uma bem elaborada memória sobre esta matéria.

27 agosto 2008

Lagos

No meio de uma mais que rápida visita a Lagos deu para descobrir uma rua que não conhecia e onde, antigamente, ficava a Igreja de Stª Maria da Graça ... a rua ainda se chama Rua do Adro.

(Para ampliar,"clicar" na imagem)

Muito perto uma outra ruínha que ainda vai resistindo. Tive que fazer alguma ginástica para não apanhar nenhum automóvel.


18 agosto 2008

Prata para Vanessa

- Finalmente uma medalha para Portugal nos Jogos de Pequim ... muitos parabéns para Vanessa Fernandes.
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09 agosto 2008

Casa Verdades de Faria

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Tive, aqui há uns dias, a oportunidade de visitar a Casa Verdades de Faria, no Monte Estoril, a qual alberga o Museu da Música Portuguesa criado em 1987 pela Câmara Municipal de Cascais. A Casa, antiga Torre de S.Patrício, foi encomendada por Jorge O'Neill e é uma obra de Raul Lino (1918), apresentando algumas características arquitectónicas pouco claras, talvez a merecer apreciação mais cuidada. A designação da Casa é uma homenagem à mulher de Enrique Mantero Belard, o segundo proprietário, que doou o edifício a Cascais.


Um instrumento musical da colecção de Michel Giacometti, a qual se encontra em exposição no museu.
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31 julho 2008

Agadir

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Na costa atlântica do sul de Marrocos, Agadir não é, hoje, uma cidade tradicional árabe. Cresceu a partir de um posto comercial estabelecido pelos portugueses em 1505 (Santa Cruz do Cabo do Gué), o qual foi abandonado em 1541 sendo então reocupado pelos marroquinos. Em 1960 foi quase totalmente destruída por um terramoto que matou cerca de 15 000 pessoas, a terça parte da população. A cidade começou a ser reconstruída uns anos depois mas a cerca de três quilómetros a sul da sua localização original e, actualmente, é uma importante estância de turismo balnear, de traços modernos e europeizados.


Aqui podemos ver um magnífico hotel ("Palais des Roses"). É pena que as condições da praia, que se pode ver ao fundo, e da bonita piscina deixem muito a desejar.

Do hotel pode ver-se a encosta onde a Agadir original se localizava. A fortaleza do topo data de 1572.

PS: As fotografias podem ser ampliadas "clicando" sobre as ditas.
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27 julho 2008

D. João I

- Já aqui dissemos que a Praça da Figueira é o actual palco da homenagem da cidade de Lisboa a este nosso soberano que foi "REI DE PORTUGAL PELA GRAÇA DE DEUS E FIRMEZA DE NUN'ALVARES, JOÃO DAS REGRAS, POVO DE LISBOA E CORTES DA NAÇÃO".
Foi em 06 de Dezembro de 1383 que o povo de Lisboa, dirigido por Álvaro Pais, se "amotinou" e apoiou o então Mestre de Aviz que nesse dia tinha executado o Andeiro. O Mestre foi aclamado rei nas Cortes de Coimbra (1385) devido, em grande parte, à actuação e argumentação jurídica de João das Regras mas julgo que o maior responsável pela vitória final de João I de Portugal foi essa figura ímpar de português que se chamou Nun'Álvares Pereira.
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19 julho 2008

El Jadida em Marrocos

- El Jadida, na costa Atlântica a cerca de 90 Km a sudoeste de Casablanca, é a antiga Mazagão que foi estabelecida como entreposto comercial português em 1513, para apoiar os navegadores a caminho da Índia. A fortificação existente (Cité Portugaise), património da humanidade desde 2004, foi construída por volta de 1540. Os portugueses mantiveram-se em Mazagão até 1769. A cidade foi então abandonada, por ordem do Marquês de Pombal, e a população transportada para o Brasil onde fundou a vila de Nova Mazagão (actual Mazagão no estado de Amapá).



A célebre Porta do Mar





A cisterna portuguesa que serviu para armazém de munições e outras mercadorias além de recolher as águas da chuva. É verdadeiramente impressionante ... estávamos em meados do Séc XVI.

Nota: Todas as fotografias podem ser ampliadas, "clicando" sobre elas.

30 junho 2008

Euro 2008 (final)

- Terminou em grande, para os espanhóis, este europeu. O 1-0 final não espelhou a superioridade evidenciada em campo sobre os alemães. Está muito bem entregue o título.

A taça é espanhola ... parabéns.

20 junho 2008

Euro 2008 (o nosso adeus)

-Foi 2-3 com a Alemanha. Sem dramas, terminou a nossa actuação neste Campeonato da Europa de futebol. Só foi um balde de água fria para os sonhadores que, desde o início, julgavam ir ser campeões. Aqui temos o golo do empurrão ... e de mais uma saída de olhos fechados do nosso guarda-redes (já em 2004 tinha feito a mesma coisa na final). O capítulo de Scolari está encerrado ... e o de Ricardo também!
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16 junho 2008

Euro 2008 (III)

O primeiro desaire aconteceu com a Suiça (0-2). Podemos encontrar várias explicações para o acontecido mas o principal é que continuamos em jogo e iremos aos quartos de final deste campeonato da Europa defrontar ou a Alemanha, ou a Áustria ou a Polónia ... uma destas equipas será. Esta derrota também serviu para fazer descer à terra alguns visionários e tornar as nossas expectativas mais realistas.

14 junho 2008

Praça da Figueira

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Eis que dois cívicos, montados nas suas novas caranguejolas, se dirigem do Rossio para a Praça da Figueira.


Esta Praça não existia antes do terramoto de 1755 e foi desenhada nos terrenos anteriormente ocupados pelo Hospital de Todos os Santos que tinha frente para o Rossio e que ficou em ruínas depois do sismo . Inicialmente concebida como praça tradicional (venda de frutas e hortaliças) ao ar livre, chamava-se então Horta do Hospital. Mudou de nome para Praça das Ervas, Praça Nova e, finalmente, para Praça da Figueira. Apresentava o aspecto da imagem acima por volta do fim do Séc XIX . A meio do século passado (1949) o edifício foi demolido e hoje a Praça funciona como palco da homenagem de Lisboa a D. João I que foi rei de Portugal graças à revolução de 1385.


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12 junho 2008

Euro 2008 (II)

E a caminhada continua ... desta vez, embora vestidos de branco, foram 3-1 aos checos. Mesmo com grandes valores individuais continuamos a jogar como equipa. Só espero que possamos manter esta atitude e, se assim fôr, o céu é o limite! Força pessoal!!!
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08 junho 2008

Euro 2008

Bela prestação, 2-0 à Turquia. Portugal jogou como uma equipa a sério ... finalmente!!!

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31 maio 2008

Ruas giras ... (2)


... e esta é em Palmela.

30 maio 2008

Ruas giras ...


Esta, por acaso, é viela ... em Viana do Castelo.

14 maio 2008

Cidade da tolerância

(Para ampliar, "clicar" na imagem)

É em Lisboa, no largo de São Domingos, ali mesmo à beirinha do Rossio. Em frente do mural pode ver-se (imagem seguinte) este memorial, recentemente inaugurado.

(Para ampliar, "clicar" na imagem)

09 maio 2008

... e o Portugal é o de sempre!!!

A propósito da nomeação do novo homem forte da Judiciária, um polícia, e do incómodo de alguns magistrados com a situação, escreve Ferreira Fernandes no Diário de Notícias de hoje:


"CARTA É ANTIGA E O PORTUGAL É O DE SEMPRE

Almeida Rodrigues, polícia, é o novo patrão da PJ. Por isso, Baltasar Pinto, o n.º 2, demitiu-se: "Sou procurador-geral adjunto com dez anos de cargo e por uma questão de estatuto não podia ficar." Um procurador sob um simples polícia? Que horror, o estatuto arrepela-se todo! Portugal foi sempre assim, de castas, com raros a oporem-se. Um dia, o duque do Cadaval (procuradoríssimo--geral, pois era o corregedor- -mor) tratou por tu o polícia Pina Manique (simples corregedor). Pina Manique escreveu ao duque, dizendo que se ele o tratou assim por ser de nascimento humilde, então, "caguei para mim que nada valho." Mas, prosseguiu Pina Manique, se foi por causa do cargo menor que ocupava, então, "caguei para o cargo." E, rematou Pina Manique, caso não fosse uma ou outra razão, que o duque lhe dissesse, pois ele queria saber "se devo ou não cagar para V. Ex.ª". Com gosto emprestarei a carta ao polícia que manda hoje na PJ, para ele a enviar a quem de direito."

05 maio 2008

A Fonte da Vila (Castelo de Vide)

Reza a tradição que Vide ou terra da Vide passou para as mãos dos cristãos em 1148, passando a pertencer a Gonçalo Mousinho.
(Para ampliar, "clicar" na imagem)

É em plena Notável Vila de Castelo de Vide, na Judiaria, que hoje encontramos a mais antiga (séc XVI) Fonte da Vila, onde se podem ver as Armas de Portugal. No outro lado (ver em baixo) figuram as Armas de Castelo de Vide.

(Para ampliar, "clicar" na imagem)

04 maio 2008

Marvão

(Para ampliar, "clicar" na imagem)

O nome desta vila parece ter origem em Marwan Al-Yilliqi, o fundador oficial de Badajoz em 875, que morreu em 889 depois de muito ter lutado contra o califado de Córdova. A fortaleza, empoleirada nos penhascos, servia-lhe de refúgio. D. Afonso Henriques tomou-a por volta de 1160 mas o lugar sempre foi muito difícil de povoar e hoje não tem nem duas centenas de habitantes.

(Para ampliar, "clicar" na imagem)

Aqui pode ver-se a igreja de Stª Maria (séc XIII) que alberga o Museu Municipal.

25 abril 2008

34 anos depois ...


... é Abril outra vez.

(Pergunta pouco inocente: "... e não se pode exterminá-los?"

25 de Abril


O FUTURO

Isto vai meus amigos isto vai
um passo atrás são sempre dois em frente
e um povo verdadeiro não se trai
não quer gente mais gente quer outra gente

Isto vai meus amigos isto vai
o que é preciso é ter sempre presente
que o presente é um tempo que se vai
e o futuro é o tempo resistente

Depois da tempestade há a bonança
que é verde como a cor que tem a esperança
quando a água de Abril sobre nós cai.

O que é preciso é termos confiança
se fizermos de maio a nossa lança
isto vai meus amigos isto vai.


(de José Carlos Ary dos Santos)

17 abril 2008

O achamento do Brasil (IV parte - Cantino)

(Para ampliar, "clicar" na imagem)

O Planisfério anónimo de 1502, dito "de Cantino" (ver o "post" anterior) tem uma história muito curiosa que vale a pena referir neste contexto. Alberto Cantino era um assalariado do duque de Ferrara e funcionava como espião em Lisboa nos finais do séc XV, tendo conseguido, presume-se, subornar um cartógrafo da casa real para elaborar um mapa com os últimos conhecimentos dos portugueses sobre esta matéria. O mapa em questão já estava em Itália em 1502. Faço notar três pormenores (entre outros) que chamam a atenção. A extrema perfeição do continente africano (que em 1502 tinha sido contornado apenas por três vezes), a extensão desenhada da costa brasileira e a representação de parte da américa do norte, incluindo a Florida (oficialmente só seria descoberta em 1513 por Juan Ponce de León, na imagem à esquerda, que aí procurava a fonte da juventude). No que diz respeito à costa brasileira verifica-se que os elementos aí desenhados devem ter tido origem em explorações efectuadas antes da descoberta oficial do Brasil em 1500. De facto, a primeira expedição que oficialmente cartografou a costa brasileira partiu de Lisboa em Maio de 1501, dirigida por Gonçalo Coelho, e regressou em finais de Julho de 1502 não havendo, portanto, tempo útil para usar os dados adquiridos na feitura do mapa de Cantino. Tudo parece indicar que havia conhecimento seguro da existência de terras por aquelas paragens (e não só) muito antes de 1500 e que estavam claramente referenciadas no Arquivo Real existente na Casa da Índia, sítio de onde saíram os elementos que serviram para a criação da carta, a primeira que mostra não só a Europa e África mas também as Américas e a Ásia, a qual foi vendida ao duque de Ferrara.

O mapa foi guardado na biblioteca do duque durante quase um século até ser transferido para Modena (1592) pelo Papa Clemente VIII. Em meados do século XIX desapareceu, tendo sido encontrado a servir de cortinado num talho da cidade. Foi recuperado e encontra-se desde então (1868) na Biblioteca Estense (o duque de Ferrara desta "estória" chamava-se Hercules d'Este). É considerado uma obra-prima da cartografia portuguesa do séc XVI.

20 março 2008

O achamento do Brasil (III parte - Duarte Pacheco Pereira)

No seguimento do "post" anterior vamos ver então o que se pensa ter sido o papel deste reconhecido cientista (geógrafo e cosmógrafo) no achamento do Brasil. Diga-se que fazia parte da delegação portuguesa que assinou o Tratado de Tordesilhas em 1494. Quatro anos mais tarde é-lhe confiada, por D. Manuel I, a missão de explorar a "quarta parte", como era conhecido o quadrante oeste do Atlântico Sul. Existe um manuscrito deste senhor ("Esmeraldo de situ orbis") de 1505 (?) que a páginas tantas diz o seguinte:
"Como no terceiro ano de vosso reinado do ano de Nosso Senhor de mil quatrocentos e noventa e oito, donde nos vossa Alteza mandou descobrir a parte ocidental, passando além a grandeza do mar Oceano, onde é achada e navegada uma tam grande terra firme, com muitas e grandes ilhas adjacentes a ela e é grandemente povoada. Tanto se dilata sua grandeza e corre com muita longura, que de uma arte nem da outra não foi visto nem sabido o fim e cabo dela. É achado nela muito e fino brasil com outras muitas cousas de que os navios nestes Reinos vem grandemente povoados."
Parece que Pacheco Pereira chegou ao Brasil por altura de Marinhão/Pará, tendo estado na Ilha do Marajó e na foz do Amazonas. No seu regresso toda esta história foi mantida secreta pois julgava-se que as terras alcançadas eram, de acordo com Tordesilhas, pertença dos espanhóis.
Pacheco, que mereceu uma referência de Camões nos Lusíadas, Canto X, onde é chamado "o grão Pacheco, o Aquiles lusitano", não teve um final brilhante. Já com D. João III a reinar foi preso, acusado de contrabandear ouro de África, e embora ilibado morreu em 1533, pobre e abandonado. O seu manuscrito apenas foi redescoberto em 1892.
Mas a "descoberta" do Brasil não acaba aqui ... a primeira carta geográfica onde, sem qualquer dúvida, ele foi assinalado é o Planisfério de Cantino, já de si uma cópia de documentos portugueses anteriores, que apareceu em 1502. A perfeição deste mapa que hoje se encontra na biblioteca de Modena, em Itália, é extraordinária (ver imagem seguinte) e a sua história levanta outras questões que serão objecto de um próximo"post".



(Para ampliar, clicar na imagem)

29 fevereiro 2008

O achamento do Brasil (II parte-Tordesilhas)

Na sequência do "post" anterior resolvi investigar um pouco mais profundamente esta matéria e encontrei algumas coisas interessantes. Já vimos, portanto, que antes de Cabral alguns espanhóis estiveram no que hoje é o Brasil. De notar que as próprias autoridades brasileiras de Pernambuco/Cabo de Santo Agostinho, aquando do cinquecentenário, deram algum relevo a esta situação tendo comemorado a data da chegada (em 26 de Janeiro de 2000) de forma institucional e com a presença de uma delegação espanhola.

Comecemos com a 1ª viagem à América de Colombo (1492). Este, que julgava ter chegado à Índia, no seu regresso veio directamente a Lisboa onde se encontrou com D. João II. O nosso rei, na sequência das conversas que teve com ele, reclamou para si as terras descobertas pois, de acordo com o Tratado de Alcáçovas-Toledo (1479), estas estavam dentro da sua área de influência ou seja a sul do paralelo que passava pelo Cabo Bojador/Canárias. E tinha toda a razão, como se pode ver na figura seguinte.


Quem não gostou mesmo nada da reclamação foram os soberanos Fernando (de Aragão) e Isabel (de Castela), que tinham financiado a viagem de Colombo, os quais recorreram para a autoridade máxima na época, o Papado, que era então ocupado por Alexandre VI, espanhol e amigo dos Reis Católicos.

Este senhor decidiu, evidentemente, a favor dos seus amigos e, em 1493, alterou a linha divisória de Alcáçovas (um paralelo) para um meridiano que passasse 100 léguas a oeste de Cabo Verde. Depois de muitas negociações, D. João II abandonou a sua proposta inicial que mantinha um paralelo como divisória, mas exigiu que o meridiano se deslocasse para oeste mais 270 léguas. E assim foi assinado o tratado de Tordesilhas, em 7 de Junho de 1494, com a linha 370 léguas a oeste de Cabo Verde. Entre os portugueses que assinaram o tratado encontrava-se um competente e conhecedor geógrafo, Duarte Pacheco Pereira, que também já andara por terras sul-americanas. Veremos o seu papel no achamento do Brasil em próximo "post".

14 fevereiro 2008

Brasil ... quem o descobriu (ou achou)?

Em termos "oficiais" não há dúvidas ... Pedro Álvares Cabral chegou a Porto Seguro em 22 de Abril de 1500 e foi o primeiro europeu a pisar terra brasileira. Inicialmente pensava-se ser uma ilha e foi chamada de Vera Cruz; mais tarde deram-lhe o nome de Terras de Santa Cruz. O termo "Brasil" aparece tempos depois e deriva da actividade comercial relacionada com o "pau da tinta" ou "pau-brasil".
Parece, no entanto, que esta história precisa de alguns acrescentos. Em relativamente recente passagem pela Galiza tomei contacto com a réplica da caravela Pinta, situação já aqui referida. A Pinta fazia parte da esquadra de Colombo que descobriu a América (1492) e foi o primeiro navio a regressar à Europa (Baiona) trazendo a grande novidade. Era, na altura, comandada por Martín Alonso Pinzón e tinha como mestre Francisco Martín Pinzón, irmãos de Vicente Iáñes Pinzón que, por sua vez, comandava uma outra caravela da mesma esquadra, a Niña. Tudo isto para dizer que os Pinzóns, de Palos de la Frontera, eram navegadores/armadores de grande poder e riqueza, estando envolvidos em toda a actividade relacionada com a descoberta de novos mundos, a qual tinha uma substancial componente comercial ... digamos que, embora arriscado, era um belíssimo investimento. Um exemplo: a primeira viagem de Vasco da Gama à Índia rendeu 60 vezes o investimento feito.

Pois a família Pinzón aparelhou quatro caravelas que, sob o comando de Vicente, largaram de Palos de la Frontera em Dezembro de 1499, havendo notícia de que chegaram ao Brasil (Cabo de Santo Agostinho, a que chamaram de Santa Maria de la Consolación) em 26 de Janeiro de 1500, 83 dias antes de Cabral. Entraram também na bacia do Amazonas, então baptizada de Mar Dulce. A razão para tudo isto ter sido escondido parece estar relacionado com o facto do Tratado das Tordesilhas ter sido assinado em 1494 e as terras descobertas estarem na parte atribuída a Portugal, não podendo portanto ser reclamadas pelos espanhóis. Talvez por isso a viagem foi um fracasso económico que levou os Pinzón a quase falirem.
Mas o assunto não acaba aqui e indo um pouco mais longe, ou mais cedo, encontramos ainda algumas surpresas ... mas estas ficam para um próximo"post".

01 fevereiro 2008

Foi neste local ...


... há cem anos, que aconteceu o regicídio. O local é o Terreiro do Paço, em Lisboa, quase na esquina com a Rua do Arsenal. Vivia-se um clima altamente conspirativo e esta tragédia marcou o início do fim da Monarquia Constitucional ... a República estava definitivamente a caminho.



Este é o landau usado pela família real nesse dia. Julgo que pode ser visto em Vila Viçosa.